“And now here is my secret, a very simple secret:
 it is only with the heart that one can see rightly;
 what is essential is invisible to the eye.”
 
Deus do céu.
É Pequeno Príncipe, Saint Exupéry.
Tá piorando a coisa...
 
***
 
Então, Boston.
A ida.
Eu estava tranquila dentro do avião (pontual) na ida, até ele voltar pro gate e o comandante dizer que retornavam porque "os mecânicos tinham que verificar um problema".
Ouvi antes, em inglês. Soltei um 'oh, my god' enorme, e o povo me olhou. Quase falei, 'ok, tá justo, mas dá pra abrir a porta e me deixar sair então?" Porque pra uma criatura que tem horror de avião, odeia voar, morre de medo, ouvir um troço desses certamente não foi legal.
Mas fomos, vá lá. Avião lotado, tipo Central do Brasil. E em todos os sentidos era trem da Central. Difícil descrever a falta de educação do brasileiro viajando, ainda mais naquelas linhas aéreas quase 0800, passagem baratíssima, trocentas vezes sem juros. Era muito travesseiro com fronhinha de bichinho; muita almofada vermelha de coração com braços abertos; muita gente perguntando "tem leite?", "beef é bife?"; muito chute na cadeira, gente conversando alto, gente atravancando os corredores e, claro, muita criancinha correndo pelo avião; muita gente contando a vida durante o voo. Dava material ali para uns dois romances brincando.
 
 
Perdi minha conexão de Charlotte para Boston. Era previsto. Mas deu tudo certo. Peguei o próximo voo, uma hora e meia depois, e cheguei numa boa. Daí não era avião sucatão, mas um Airbus maravilhoso com espaço decente para os meus dois metros de perna e, sorte, peguei  três poltronas sozinha para me esticar. Ou seja, dormi duas horas e meia o que não dormi dez horas.
Hotel show de bola, e uma coisa eu aprendi: sempre ficar no hotel do congresso. Muita cama e muito travesseiro para mim. Aliás, para O Porco também.
 
Frio. Pra caramba. Mas suportável para quem, como eu, ama o frio. Bordo certo ter levado minhas botas na última hora. É por isso que eu abro e fecho mala até o último minuto antes de sair de casa. Teve neve até. Claro. Se eu estava lá, teria algum fenômeno meteorológico raro qualquer (assim foi no recorde de frio em NY anos 1990; recorde de frio em Orlando, 2002; maior chuva da última década em Florianópolis).
É assim mesmo. Onde vou, acontece. Praticamente tudo.
Não foi diferente.
Mas isso tudo foi antes de começar a conferência.
Resumo das palestras vistas em breve.
E outras impressões.